A importância da Ordem...

Atualizado: 12 de nov. de 2021



...nas ideias, no discurso e nas ideias. Sim, duplamente nas ideias. Nas ideias que antecedem, imaginam e dão origem ao discurso. Nas ideias que, a partir desse mesmo discurso, ganham vida e são colocadas em prática. Em treino e depois em jogo. Sempre dentro de uma ordem que, para ser devidamente ordeira, não pode fugir a este padrão. Quantas vezes já ouvimos um treinador dizer que gosta de gerar o caos dentro da organização defensiva adversária através do caos gerado pela sua própria organização ofensiva? A verdade é que para isso acontecer, esse caos deve respeitar um conjunto de pressupostos que, ao contrário da sua intenção final, obedecem a uma ordem que é a trave-mestra de tudo o que se quer ver em campo.


Mas antes de chegarmos ao campo e à execução das ideias em treino e em jogo temos de saber que ideias queremos colocar em prática, que comportamentos (individuais e coletivos) queremos ver implementados no nosso grupo de trabalho, que tipo de comunicação teremos de ter junto do nosso grupo de trabalho (desde o staff técnico aos jogadores, passando por todos os departamentos que connosco colaboram) e de qual a ordem que queremos ver implantada em cada uma destas vertentes.


Ou seja, a ordem surge como fator decisivo para as ideias teóricas que levam ao discurso teórico/prático que depois queremos ver treinadas e jogadas através das ideias práticas em campo.


Serve isto como base para a chegada de Xavi Hernandez a Barcelona. O antigo capitão catalão regressou agora para a tarefa mais complexa da sua ainda curta carreira de treinador principal: resgatar os ideais e a dignidade culés para levar o FC Barcelona novamente ao topo do mundo futebolístico. Em Espanha, na Europa e no Mundo.


A tarefa, ainda que se adivinhe hercúlea, não deve ser considerada impossível. Nem mesmo tendo em conta os gravíssimos problemas financeiros que assolam e afligem o maior clube catalão. E por uma razão muito simples, pelo menos a meu ver...



Xavi representa precisamente a ordem. A ordem que acaba por imperar no balneário e ser lei, como podemos constatar nos mandamentos que, desde a sua chegada, são do conhecimento público. A ordem que indica, guia e ilumina os passos e os caminhos a trilhar rumo a um destino, como se pode atestar nas imagens dos primeiros treinos realizados sob o seu comando. A ordem que define e baliza ideias e discursos, a ponto de cancelar uma entrevista de um dos seus capitães (Piqué) a uma estação pública e nacional da televisão espanhola.


Xavi é a ordem que tem faltado ao Barcelona desde a saída de Luís Enrique e deixou isso bem claro logo na sua primeira intervenção pública enquanto novo timoneiro catalão. O antigo internacional espanhol foi bem claro ao dizer que regressava ao Barcelona com o intuito de trazer a ordem ao clube. Não falou de táticas, não discursou sobre contratações ou dispensas, não se debruçou sobre a crise financeira que o clube atravessa. Apenas e só afirmou que vinha para trazer ordem ao clube e devolver o clube ao patamar a que o mesmo nos habituou.


Basta atentarmos à forma como se apresentou para percebermos que ele é e será a ordem que o clube precisa para poder voltar à ideologia culé, às boas exibições e aos bons resultados: a ordem de ideias presentes no discurso e a forma ordeira como discursou e destacou a ordem que ele quer ver de novo no seu “Barça”.


Não tenho dúvidas de que assim será a partir de agora. E que as ideias ordeiras e o discurso ordenado rapidamente irão dar lugar à ordem de ideias no campo, às saídas apoiadas desde trás, à ligação entre sectores, às dinâmicas do terceiro homem, à procura do homem livre, ao futebol de ataque continuado, pensado, posicional, com temporizações, em bloco ao estilo futebol total, repleto de boas decisões, sem perdas de bola desnecessárias e sem “esticões” sem sentido. Não necessariamente nesta ordem (quiçá), mas certamente com ordem. Muita ordem...

Redigido por Laurindo Filho

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