Como joga o Fulham FC de Marco Silva?



Com um percurso em crescendo, onde se destacou no GD Estoril Praia (campeão da Segunda Liga), passou pelo Sporting CP (conquistou a Taça de Portugal), Olympiacos (campeão grego), Watford FC e FC Everton, Marco Silva representa agora o Fulham FC que milita na Championship e volta a viver momentos felizes na carreira, colocando a sua equipa nos primeiros lugares da tabela num dos campeonatos mais competitivos do mundo. Marco Silva desenvolveu um modelo de jogo muito centrado no jogo atacante, onde privilegia a posse e a criatividade dos seus jogadores.


O plantel do Fulham apresenta jogadores de grande qualidade, fazendo uma mescla de jogadores com experiência de Premier League e novos talentos que estão a afirmar-se na equipa, permitindo assim prever um futuro risonho para esta equipa que tenta novamente chegar à “melhor liga do mundo”.


O Fulham atua num sistema de 1-4-2-3-1, que altera de acordo com o momento de jogo e o adversário. Marco Silva potencia muitas dinâmicas com bola, com a equipa a procurar continuamente uma construção trabalhada e paciente para chegar a zonas de criação e finalização. Esta construção é feita a 3 com o defesa lateral (normalmente Odoi) a recuar para junto dos defesas centrais, esta dinâmica permite a subida mais frequente de Robinson (defesa lateral de cariz mais ofensivo).


Em construção Seri (médio defensivo) ocupa a função de equilibrador e de pêndulo da equipa, permitindo que o segundo médio defensivo se solte e procure zonas entre linhas dentro da estrutura adversária. A equipa de Marco Silva procura constantes desmarcações em apoio por parte de médios e avançados e é aqui que Seri se destaca. O médio que passou pelo Paços de Ferreira, consegue colocar-se várias vezes de frente para o jogo, oferecendo sempre uma linha de passe segura aos seus colegas, soltando a bola de forma segura e rápida e aumentando, assim, a fluidez de jogo da sua equipa.


No modelo de jogo do Fulham é visível a formação de micro estruturas constantes espalhadas pelo terreno de jogo, com destaque para a sociedade formada entre extremo, lateral e médio ofensivo ou pivô defensivo. A partir daí diversas dinâmicas estão bem presentes no modelo da equipa de Marco Silva. De realçar a importância do jogo interior constante da equipa, com Mitrovic também a ser importante nesta fase de criação. O ponta de lança procura vir jogar em apoio e ser um elemento de ligação da fase de criação até zonas de finalização. Tenta jogar a um toque para libertar e permitir à equipa ter uma circulação ofensiva de forma a chegar em boas condições a zonas de finalização. Após esse momento o sérvio fixa-se na área e é o elemento-chave para o ataque à baliza adversária.


Marco Silva junta à dinâmica do seu ponta de lança a rotatividade posicional dos médios interiores, que com bola se posicionam muitas vezes em 2+1, com Seri e Reed a serem os principais destaques em construção e Fábio Carvalho a envolver-se dentro do bloco adversário em espaço entre linhas. No entanto, em zonas mais adiantadas, Reed assume alguma liberdade atacante, deixando Seri fixo num meio-campo que se transforma em 1+2.

Os extremos assumem um papel fundamental no ataque à baliza. Quando a equipa consegue libertar-se da pressão do adversário direciona a bola para os corredores onde depois os jogadores expressam toda a sua criatividade. Harry Wilson e Kebano jogadores com capacidade técnica e velocidade são muitas vezes ajudados pelos apoios de Seri na cobertura ofensiva, pelas subidas dos laterais nas suas costas a causar a dúvida no defesa e, ainda, as desmarcações dos dois outros médios em rotura ou em apoio. Além destas dinâmicas temos ainda a imprevisibilidade que os extremos atribuem às suas ações, ora a vir para dentro em condução como a procurar o 1x1 junto ao corredor.


Chegando a zonas de finalização, o Fulham coloca Mitrovic como referência ofensiva na área para responder a cruzamentos. O extremo do lado contrário e os dois médio com maior liberdade ofensiva posicionam se perto da entrada da área. Este posicionamento dos médios prepara, desde logo, a transição defensiva da equipa.


Quando o Fulham perde a bola procura ter uma reação imediata e forte, de maneira a não deixar o adversário sair. Nestas situações a equipa tenta conquistar superioridade numérica em zonas próximas de onde se encontra a bola. É verdade que consegue muitas vezes recuperar a bola em zonas adiantadas, mas quando o adversário ultrapassa esta primeira fase de pressão, o Fulham mostra dificuldades, concedendo espaços importantes para o contra-ataque adversário. Esta situação acontece devido à distância que surge entre setor defensivo e médio da equipa. A sincronização entre defesa e meio-campo relativamente a indicadores de pressão é um aspeto a melhorar. Existe, por exemplo, várias vezes a tentação dos dois médios defensivos em subir para pressionar e a linha defensiva não encurtar o espaço à sua frente. Além disso, a equipa, por vezes, não tem consistência na pressão, seja por erros individuais ou por dinâmicas coletivas e nem sempre recupera rápido quando o adversário supera linhas de pressão. A transição defensiva é o momento onde o Fulham acaba por sentir mais dificuldades, principalmente quando o pressing inicial acaba por falhar e as linhas estão distantes.


Em Organização Defensiva a equipa organiza-se em 1-4-2-3-1, procurando pressionar alto os adversários e definindo como gatilho de pressão os corredores laterais. O ponta de lança tapa a linha de passe do defesa central e o extremo pressiona o lateral enquanto os médios fecham a linha de passe no meio. Neste momento a equipa coloca muitas unidades no corredor central procurando a superioridade numérica no centro de jogo. Uma arma fundamental da equipa é a velocidade do pressing que não permite ao adversário virar o centro de jogo e conseguir ultrapassar esta primeira fase de pressão.


Tal como em momento de transição defensiva, a linha média e linha defensiva ainda não têm a coordenação que Marco Silva de certo desejará, denotando-se essa lacuna, por exemplo, quando o adversário procura jogar através de passe longo. O Fulham acaba por falhar várias vezes o ataque à segunda bola e também "sofre" quando o adversário procura o espaço nas costas da sua linha defensiva. Denota-se bastante a ausência de uma referência defensiva no meio-campo com maior capacidade de ganhar duelos e que se posicione entre a linha média e linha avançada.


Quando consegue recuperar a bola, a equipa de Marco Silva procura ferir o adversário, principalmente, através da velocidade dos seus extremos. Assim que recuperam a bola, o foco da equipa é conseguir ligar jogo para os seus corredores laterais, aproveitando a velocidade de condução e a capacidade de 1x1 que estes jogadores apresentam. Além dos extremos, também o ponta de lança, Mitrovic, é referência para saídas rápidas - o sérvio segura bem a bola e combina com médios e extremos. Fábio Carvalho e Harry Wilson destacam-se neste momento do jogo. Quando têm espaço, conseguem criar desequilíbrios em condução e têm a capacidade de no momento certo realizar o último passe. A equipa procura colocar muitas unidades dentro de área para finalização, sendo Mitrovic a maior referência.


Aos 19 anos, Fábio Carvalho, assume destaque nesta equipa do Fulham e é uma das principais promessas do campeonato. Jogador dotado de uma grande qualidade técnica, consegue desequilibrar no drible e na velocidade que coloca em todas as suas ações. É um jogador que Marco Silva tem apostado, quer a titular quer vindo do banco, e o jovem jogador tem conseguindo corresponder com golos, assistências e boas exibições.



Redigido por:

André Anastácio | Jorge Faria de Sousa | Miguel Leocádio | Miguel Ferreira

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