(Não) Vender os Melhores



Consumado que está o regresso de Jesus, recomeçaram ontem, verdadeiramente, os trabalhos desta segunda vinda. Antes porém, houve tempo para falar. Muito. Algumas coisas bem, outras… ter-se-á visto grego… Mas sabemos que JJ é assim. Entre o que se diz e o que fica por dizer, há sempre um outro manancial de matéria que resulta da sua peculiar forma de expressão.

O Benfica não contratou um expert em linguística, pelo que não é esta a parte que mais me interessa. Sobram do discurso e entrevista de Jorge Jesus algumas ideias importantes. Hoje foco-me, contudo, no que foi dito sobre a (não) venda dos melhores.

Há poucas semanas, questionei quais as promessas que JJ poderia fazer desta vez. Não foi comedido, como é seu timbre. Jogar o triplo e arrasar. Só que para o fazer, Jorge chama a atenção para um ponto que me parece fulcral.

Para ser competitivo (e convenhamos, ser competitivo é vencer), o Clube tem que criar a capacidade de não vender as suas melhores unidades. E pouco importa se são produtos da formação, ou de compras assertivas feitas nos mais diversos mercados. Para ganhar consecutivamente, é preciso elevar a bitola qualitativa do plantel para reter valor. Só assim estarão reunidas as condições para uma outra promessa feita, esta em torno da formação.

Porque lançar jovens não é atirá-los para a fogueira quando o Benfica perde em casa a 10 minutos do fim (ou menos). Apostar na formação requer a criação de um contexto de conforto em que os jovens são colocados em competição em cenários favoráveis. Em jogos já ganhos que se vencem por 2 ou 3 golos a 15 minutos do fim. Rodeados de referências que não precisem deles para resolver mas, ao invés, lhes possam dar o suporte que necessitam para se soltarem em competição.

É desta forma que um qualquer jovem oriundo da formação, terá como grande objetivo estrear-se na equipa principal, e não competir pela transferência mais alta. Estar na equipa A tem que ser um objetivo e não uma etapa que – preferencialmente – se pode saltar rumo a outros mercados financeiramente mais apelativos. Só que para que a presença na equipa principal seja sentida desta forma, cabe ao Clube, à estrutura, criar condições para que assim seja e não fazer do expoente máximo do nosso futebol profissional apenas uma montra em que se exibem produtos para vender ao melhor preço.

Como diz um dos candidatos à presidência do Benfica, os melhores dividendos do Clube serão sempre as Vitórias. O que assistimos nos últimos anos foi a uma inversão total de valores e prioridades. O Benfica deixou de ser um Clube com um projeto e passou a ser um projeto que – por acaso – tinha um clube.

O que as promessas do novo treinador indicam é o início dum trajeto de regresso do Clube a um rumo do qual nunca se deveria ter afastado. Como ele próprio disse, os ciclos mudam. Os projetos, também. Mas no Benfica, o único projeto que importa é vencer!


E PLURIBUS UNUM SLB#19876


REDIGIDO POR: Carlos Fradiano

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