Power Rangers



A sorte ou azar ditou que o SC Braga nestes quartos de final tenham de defrontar a equipa do Rangers da Escócia, atual campeã da Scottish Premiership.


Com Steven Gerrard, a equipa do Rangers assentava num 4-3-3 com algumas semelhanças do atual Liverpool na forma de atacar e defender, mas com a entrada de Gio Van Bronckhorst, o Rangers mantendo alguns princípios tem agora um sistema assente num 4-2-3-1 preferencialmente, havendo jogos que são necessários adaptar a largura colocada pelo adversário num 3-5-2.


Embarque connosco nesta análise coletiva do Rangers FC:


Organização Ofensiva


Fase Construção


Privilegiam sempre que possível uma construção curta e apoiada com o principio do espaço bem patente na circulação, orientando sempre que possível pelos corredores a entrada na 2ª fase de construção. Numa estrutura de 4 defesas + 2 médios atrás da primeira linha de pressão, dando sempre uma opção de saída ao portador de forma ligar o jogo, mas com clara intenção de encontrar o Defesa Lateral Direito Tavernier, que recebe sempre com espaço para acelerar e explorar profundidade do Ponta Lança Morelos e do Médio Ofensivo Aribo.


Outra das dinâmicas da equipa do Rangers é o recuo do médio Lundstram para o meio dos Defesas Centrais ou num posição lateral dos Defesas Centrais, como forma de criar uma superioridade sobre a pressão para a equipa poder circular e procurar os espaços laterais para acelerar e “agredir” o adversário. De notar que na construção a 3 existe uma preferência para encontrar os espaços do corredor esquerdo.


Criação/Finalização


Na 2ª fase do jogo ofensivo a equipa do Rangers tem como principio a alternância entre o jogo exterior e interior como forma de desmontar a organização defensiva do adversário. Sempre com Kent aberto no corredor esquerdo e com as sobreposições do Lateral Esquerdo Barisic ou Bassey que criam espaço para receber em zonas de finalização ou simplesmente criar espaço para que Kent possa fletir para zonas interiores com bola e crie o perigo na equipa adversária. Claramente Kent o jogador mais desequilibrador da equipa do Rangers e com um papel preponderante quer em golos ou assistências.

De ressalvar que a fase de criação/finalização é construída nestes princípios de procurar rodar o adversário a um corredor e explorar o outro sempre com a largura permanente no corredor esquerdo.


Transição Ofensiva


Uma das armas mais letais desta equipa comandada por Van Bronckhorst, com a utilização perfeita do jogo de apoio frontal do Ponta de Lança Morelos, com o virtuosismo de Kent e com a facilidade de chegada a área de Aribo e do Tavernier, tornam-se quase letais as saídas em transição por parte do Rangers… Cuidado SC Braga!


Organização Defensiva


Bloco Alto


Um dos princípios sem bola é recuperá-la o mais rapidamente possível, por isso a equipa do Rangers asfixia o adversário, empurrando para o corredor lateral de forma a roubar bola pelo ajuntamento de jogadores naquela zona. Caso não consiga, força o adversário a jogar para trás no GR e obriga a bater longo na frente para que os Defesas Centrais (fortes no jogo aéreo) ganhem no ar, com equipa a estar preparada para “lutar” pelas 2ª bolas.


Bloco Médio/Baixo


Num bloco médio/baixo as estruturas acabam por variar consoante o que o adversário possa colocar em campo, mas não fogem dos princípios de linhas juntas, bloco coeso e pressionante nas zonas + indicadores definidos para pressão (passes atrasados, corredor lateral) e com um controlo da profundidade, porque a linha defensiva joga, sempre que possível, subida.


Olhamos agora para as suas estruturas:


- Em 4-4-2 com o objetivo de condicionar o adversário a jogar para corredor lateral, que se transforma num 4-1-4-1 com recuo do Médio Lundstram para a posição de Médio Defensivo e Aribo para Médio Interior, quando o bloco baixa no terreno de jogo;


- Quando o adversário acumula muita gente entre linhas, igualdade na ultima linha defensiva e largura total no terreno, a equipa do Rangers estrutura-se um 5-3-2 ou 5-4-1. Esta mudança de estrutura ocorre muitas vezes em pleno jogo em função do comportamento do adversário e também do resultado no marcador.


Uma equipa defensivamente camaleónica, adaptável ao que o jogo pede, eficiente e difícil de ultrapassar.


Bolas Paradas


Cantos Ofensivos


Um momento forte do adversário, do qual a equipa do Rangers criou 3 golos em duas eliminatórias. Quer em canto curto ou longo a procura do jogador ao segundo poste que ludibria o adversário com os movimentos sem bola. Normalmente, a inteligência do Morelos, que é forte nestes movimentos sem bola, tem ótimo sentido de oportunidade e perceção de onde a bola acaba por surgir. Balogun é também um elemento forte até pela altura e pelo ataque forte na bola aérea.


Cantos Defensivo


Um dos pontos frágeis da equipa do Rangers são também os cantos defensivos. Numa marcação mista, mas muito atraídos pela referência individual por vezes o espaço entre as marcações e o GR fica muito grande e exposto em frente à baliza, o que proporciona que se a marcação individual falhar, o adversário apareça com espaço para finalizar.


Atenção SC Braga que pode valer este momento de jogo uma passagem às meias-finais.


Pressão batida… Espaço!


Quando o Rangers pressiona alto o adversário, mas o adversário consegue sair da pressão de frente para o jogo e com alguns jogadores do Rangers já batidos, o espaço no corredor contrário é grande e aproveitável. O Borussia Dortmund conseguiu encontrar esse espaço, mas nunca o aproveitou de forma a ferir o Rangers.


Numa análise geral, uma equipa extremamente competitiva, objetiva, difícil de ultrapassar e com muito POWER para dar ao jogo! Um osso duro de roer que levará o SC Braga a ter de preparar estrategicamente este jogo ao pormenor…


Redigido por Filipe Dias

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