“Verdiblancos” dão outra cor a Sevilha

Análise ao Real Bétis de Manuel Pellegrini, que parece ter encontrado a estabilidade outrora perdida

Até ao momento o Bétis é a sensação da La Liga, com 34 pontos conquistados e um fantástico 3º Lugar na tabela. Um Bétis que parece querer devolver a Sevilha tons mais verdes e brancos e voltar a colocar o seu nome entre os maiores de Espanha. Pellegrini conseguiu dar continuidade ao futebol ofensivo dos seus antecessores (têm o 2º melhor ataque da prova), concretizando mais e garantindo um maior equilíbrio defensivo à equipa(ainda que possa ser melhorado).


A Equipa


O Real Bétis e Manuel Pellegrini formaram um plantel muito interessante, assente num 1-4-2-3-1 como sistema base, com muita qualidade e quantidade em quase todas as posições do campo, que oferecem garantias para enfrentar as provas que ainda tem pela frente: Campeonato (Lutar pelo Acesso as Competições Europeias), Liga Europa (16avos final), Taça do Rei (Quartos de Final).


Na baliza conta com duas opções muito viáveis, Claudio Bravo, um guarda redes com enorme experiência e com passagens por clubes como Barcelona ou Manchester City, e Rui Silva, recentemente contratado, que parece confirmar toda a qualidade evidenciada no Granada. O português soma mais minutos até agora e atravessa um excelente momento de forma.


Na Defesa chamam logo a atenção os experientes Marc Bartra e Vitor Ruíz, perfeitos conhecedores do campeonato espanhol, bem como Pezzella contratado à Fiorentina esta temporada, no entanto é preciso ter atenção a Edgar González, o espanhol de 24 anos que contabiliza 1058’ sendo o defesa central com mais tempo de jogo. As Laterais estão entregues a Alex Moreno e Bellerín, dois jogadores com grande propensão ofensiva.


Guido Rodríguez, William Carvalho, Andrés Guardado, vão repartindo tempo de jogo na zona mais recuada do meio campo. Já Fekir e Sergio Canales são indiscutíveis para Pellegrini, um a partir do meio o outro da direita, para lá do tempo de jogo, não posso deixar de alertar para a importância que os dois têm na ideia do treinador. Se Fekir é muitas vezes o desequilibrador do Bétis, Canales é claramente a figura da equipa, pois é por ele que passa todo o jogo do Bétis, sempre de cabeça levantada, receção orientada, muita liberdade no campo, com um pé esquerdo muito acima da média, com uma capacidade incrível de colocar os colegas na cara do golo, mas também ele a fazer o gosto ao pé (já marcou por 4 vezes).


Os corredores estão entregues Juanmi, melhor marcador da equipa, Rodri, jovem jogador da formação dos Verdiblancos que tem chamado a atenção de diversos clubes europeus, Tello o ex-FC Porto que continua com a uma capacidade de aceleração que cria muitas dificuldades aos adversários e Aítor Ruibal.


O Ataque está entregue a Willian José, o brasileiro parece ter regressado ao seu melhor nível depois da experiência menos positiva no Wolves, e a Borja Iglesias, o possante avançado espanhol.


O Sistema


O Real Bétis parte de um sistema base 1-4-2-3-1 para depois se desdobrar em outras sistemas em função do jogo, do adversário e do próprio momento do jogo. Em termos ofensivos o Bétis baixa um dos médios para construir próximo dos centrais e os laterais bem abertos projectam-se no terreno de jogo, depois Fékir e Canales completamente livres para pedir entre linhas ou baixar para pegar no jogo, ou até mesmo pedir no corredor lateral. Já defensivamente a equipa usa normalmente um 1-4-4-2 com o Médio mais ofensivo a pressionar ao lado do avançado.


Organização Defensiva


Manuel Pellegrini gosta do seu Bétis no meio campo adversário a condicionar a saída do seu adversário. Sempre que possível adopta um bloco médio- alto e, muitas vezes, alto para tentar recuperar próximo da baliza adversária. A equipa forma duas linhas de quatro e uma de 2, orientado a pressão de maneira a atrair o adversário para os corredores laterais. Fékir ou Canales são, normalmente, os médios que se adiantam no terreno no momento de organização defensiva ficando ao lado do avançado.


No entanto, nem tudo é bom nesta organização defensiva do Bétis. Não são raras as vezes em que o adversário apresenta qualidade na sua fase de construção, consegue atrair a pressão dos Verdiblancos e depois encontra espaço entre linhas de frente para o jogo. A equipa sente enormes dificuldades, quando o adversário consegue jogar no corredor central e recebe orientado entre linhas pronto para atacar a última linha. Isto acontece pela falta de agressividade dos dois médios, pela distância entre linha média e defensiva ou pelo timing errado dos centrais subirem para pressionar no espaço à sua frente. No vídeo abaixo podemos ver algumas destas situações em que o adversário tem bastante espaço para decidir entre-linhas, aproveitando posteriormente a profundidade pelos half spaces da linha defensiva bética (como poderemos ver no vídeo de jogo diante o Athletic Bilbao ).



Transição Ofensiva


Claramente um dos momentos mais fortes deste Bétis, a capacidade que esta equipa tem em recuperar a bola e chegar rapidamente à baliza do adversário é extraordinária. Procura sair sempre com o avançado ou o médio ofensivo (jogadores que no momento defensivo ficam sobre o meio campo para prepararem a transição ofensiva da equipa) que ligam de frente (procuram os jogadores livres com condições para conduzir). A partir do momento em que ligam de frente, o portador da bola ou acelera em condução, ou liga através de passe com outro colega que pede a bola em profundidade. Em 4, 5 ou 6 passes o Real Bétis chega à baliza dos adversários com 2, 3 e 4 jogadores, em grande velocidade e em condições para finalizar. Quando não conseguem chegar rápido à baliza adversária guardam a posse de bola e procuram atacar de forma pausada e organizada, tentando arranjar espaços para ferir o adversário.


Organização Ofensiva


Organização Ofensiva é outro dos momentos em que esta equipa apresenta muita qualidade. Começando pela 1ª Fase de Construção, o Real Bétis procura sempre sair a jogar através do seu GR e dos 2 defesas centrais, a estes junta-se um dos médios, enquanto o outro pode pedir num terreno mais adiantado ou no corredor lateral, para que o lateral desse lado possa projectar-se no terreno (variação na construção entre 2+3 e 3+1).


Construção a 2+3 é a mais utilizada pelo Bétis com os dois DC’s + 3jog, que são os laterais e um dos médios (imagem abaixo é ilustrativa desta construção). Por vezes, o outro médio pede num corredor fazendo com que o lateral desse lado se projecte e o MD/ME procuram zonas mais interiores.

O GR tem um grande à vontade em jogar com os pés e é sempre uma solução para a equipa iniciar a construção. Este também consegue quando pressionado distribuir muito bem o jogo (de uma forma mais longa), quer seja para o lateral do lado oposto de onde veio a bola, quer seja para o a referência ofensiva (avançado) segurar e entregar de frente.


Esta 1ª fase do Bétis tem como objectivo atrair o seu adversário e depois ou tentar ligar por dentro com condições para rodar e atacar a última linha defensiva do adversário, ou tentar variar rápido o centro do jogo para o lado oposto onde por norma se encontra o ME/MD ou um dos laterais, potenciando aí situações de 1x1 ou 2x1.


Na fase de criação e quando o Bétis se instala no meio campo adversário, um dos médios aproxima-se dos 2 DC’s, os dois laterais projectam-se; Canales, Fékir e Juanmi têm muita liberdade de movimentos (no entanto, garantem sempre que um deles está próximo da última linha adversária).


O Bétis em ataque posicional, tenta de forma pausada gerar espaços para que depois os seus jogadores mais avançados possam acelerar o jogo em espaços curtos, quer para criar situações no corredor lateral para cruzamento, onde colocam vários jogadores em zona de finalização, quer para criar situações no corredor central potenciadoras de alimentar o último terço, seja com aproveitamento da profundidade ou em situações de combinação rápida para posterior finalização.



O vídeo em baixo demonstra a organização ofensiva do Bétis passando pelas diferentes fases: construção criação e finalização.


Transição Defensiva


Momento do jogo, onde me parece que este Bétis ainda pode crescer muito. O Bétis, como mencionado anteriormente, coloca muitos jogadores na fase ofensiva, e aliado a um mau posicionamento, faz com que quando se dá a perda da posse de bola, a equipa não esteja preparada para reagir e recuperar rápido a bola. A equipa permite aos seus adversários muitas situações de perigo neste momento do jogo, deixando o adversário chegar à sua baliza em igualdade numérica ou em superioridade.


Uma das razões para a perda de bola, centra-se com o facto de muitas vezes não ser dada uma cobertura ofensiva ao portador da bola para que este possa passar em segurança. A outra é uma reação geral dos 4 jogadores mais adiantados, que muitas vezes vêm a passo na Transição Defensiva. Ainda assim, os jogadores do Bétis procuram normalmente recuperar as suas posições defensivas, retardar o ataque do adversário e, não tanto, recuperar imediatamente a posse de bola.


Redigido por Diogo Henriques


⚽ UEFA B Football Coach- Sub-19 do Atlético Cacém

📚 Degree in Sports Science - Trainning Sports

✍️ Colaborador em Pensar o Jogo

🔷 Team Analysis

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